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Corpo em chamasBy Marina Sátiro |
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24/10/2009 Intimamente...Porque ainda trafego em meu pensamento e a tua imagem corrói todos os meus delírios. No elo que une os meus princípios omissos quando tu vens. Os devaneios que se perderam e voaram como a fina areia numa praia deserta. Afoguei-me no abismo da tua lucidez e perdurei os profundos suplícios enraizados em meu corpo. E me toma, novamente e decompõe dentro de mim o que permanece em ti. O gosto do beijo, o fel do desejo. O mel escorre nos lábios. Gosto de sangue encharca o coração insano. E pensei! O que não sai! Tatuagem do deleite. E sinto! E odeio o que sinto e penetra e me enleva. Pairo! Por um instante! A brisa passa e leva, descarrega o teu cheiro, o gosto, tudo do teu gozo ainda absorve no peito. Em brasa, me arrasa, sufoca. A dor que a saudade não levou. E a saudade que perdura na nua e crua carne, insensata e serena. A pele eloqüente, arrepia no olhar obscuro, relembra a lascívia do toque. E sente! A mão que estrutura, segura tão firme, e marca a presença constante que não desconfigura. Renasce a cada instante e quando tudo se junta, se entranham nas vísceras e derramam o teu refúgio, as lamentações dos corpos feridos. Porque ainda vivo dentro do que habitas, e percorre tão tênue o ardor do deleite que se esvai e finca e cura e maltrata a ferida incessantemente. Esqueci a insanidade desmedida, de mim quando mergulhava em tua posse e do que sou quando envolve o que delimita as minhas estações: primavera, verão, outono e inverno e eu percorrendo todas elas num só instante. Os olhos retratam e focam a sombra do passado que se transfigura no meu presente. E renasce o sabor amargo do profano, o veneno que enleva se refugia na maciez do pecado. E traz, retorna, retoma e entrelaça ao corpo, o sumo do desejo. Jorra o mel, escorre a paixão! Literalmente! E embriagam-se. Olhares fitos, corpos em estupor, dentro do que martiriza. Porque ainda é a tua demência que habita o inóspito. Sempre foi! Ainda não adormeceu a tua clemência! É a minha loucura que perdura na tua ignorância e o que derrama se manipulou através do que me prescreve. Porque ainda vivo... ...In-ti-ma-men-te!
Marina Sátiro 21/9/2009 TransparênciaPassaste como a brisa insana que rouba dos temporais o melhor dos ventos. Mas que devasta tudo o que ainda adormece. A cada jardim, a cada flor deixada para trás, morre a primavera que habita no vazio. A névoa, o frio, a geada que se formou no peito sôfrego. O calor que queima, derrama, inflama, persegue. Voam os beijos, desejos rasgados na mágoa da razão. Jorra o deleite incerto, o pranto omisso, o pensamento insistente. A fúria pacata, os olhos mareados sem rumo. Lembranças que perpetuam, sentem novamente o que se estagnou na ânsia derradeira. Onde adormeceu a insônia? O espelho reflete a inverdade. Nunca há de morrer o que estrangula o passado. As ilusões perdidas, desmedidas que permeiam no vão da lucidez. Incertezas tão perfeitas buscam outra vez o toque ávido e cuidadoso. A aura devassa retorna com vigor. Fica o perfume. Rasga-se a mantilha da sensatez. O tempo! Imoral, severo, perspicaz. Em que boca perpetua a sede? Os sentidos fugiram. O instinto aflorou. A pele eloqüente reage. Fecha-se para o olhar fito a rispidez da sombra. O sorriso embala o semblante. Palavras desconexas se conectam, se confundem. O corpo sente a mão que consome com tenaz voracidade gota por gota o que brota do inóspito. Escorre na insensatez. Disperso no universo imperfeito. A lágrima que desce, o seio rijo. Percorre. Perdeu-se a angústia que delimita o infinito. O vermelho que derrama, abrasa. O vinho persuasivo, vivo, indecente, fugaz. Saudade! Quebram-se estigmas, paradigmas. Recomeço...? Sonho! O toque inebria. O inevitável. O corpo. A lágrima novamente. Prende-se no choro ludibriado. Fecham-se os olhos. Escorre outra vez a moldura do que passou. E passou!
Marina Sátiro 15/10/2008 (In)ConstânciaEscorreu pelas mãos a maciez da tez, mas permaneceu o toque que extasiou todos os sentidos. O sussurro tilinta, vibra, urge no arrepio eloqüente. O vinho cruento, encorpado, preenche, completa. O tempo! Que passa, disfarça, refaz. Vira-se! O avesso, o fel, o desgosto, o vinagre, derrama n’alma o ardor cravado largado pelo deleite intenso, longínquo. Sublime! O momento, a boca, a língua, o ar no ar. O mundo, submundo, cru, nu. O gozo que invade, inflama, queima, sossega a ânsia derradeira. A mão instigando a pele percorre o caminho, labirinto de refúgios insensatos. A música sensual, a curva tênue que embala , o infinito se perde , reduz, reluz no brilho do olhar. Quebram! Cacos de teia, a saliva, inebria o mistério inseparável. Evapora-se! Perde-se! Acabou-se! Tudo ou nada, que inunda, desnuda a inocência perversa. A súbita saudade que lava a solitude e rouba o que se distanciou. O corpo que mente, rejeita, devora o gosto, o sabor do mel. Gota a gota dentro do mal que se esvai aos poucos. Ressuscita! A paixão desenfreada expluiu dentro do que já havia se desfeito. Forja! Engana! Destrói o amor que
arruína. Protege! Embala, no amasso o desejo facundo, efêmero, não se dissolve. A mente que lembra, o pensamento que perturba, as imagens que se reconstroem, distorcidas. As mãos que desenlaçam, o cheiro que evapora, a vida que se desfaz. O inacabado recomeça. Os beijos! Travados, engasgados, perdidos no vão da lucidez. Tudo outra vez! Não há disfarce na ilusão. A realidade simulada, medíocre, hipócrita. A eternidade se enclausura na angústia leviana, insensata. De devaneios insanos, regidos por impulsos descontroláveis, se tecem os nós estagnados na memória.
Marina Sátiro.
25/9/2008 Em silêncioNão teve adeus. Nem sequer houve uma despedida, mas o encanto do último instante ainda fere no que não se apagou. O tempo não é o remédio e nem a cura, mas todo o suplício que hei de carregar. O tormento emanado na minha ânsia ultrapassa a distância fugaz. Quanto mais me perco, mais te encontro em mim. As palavras, essas estremes palavras não mais aliviam a mágoa encarnada no peito. Não mais queimam a dor inflamada. Tudo se distanciou. A vida, essa minha é um mero acaso dela mesma. Fiquei estagnada no meio do caminho. Tudo escureceu. O meu amanhã não chega. O meu corpo disseca a cada grão de areia que escorre numa ampulheta. Dos poros da minha pele transbordam as lágrimas petrificadas que se esvaíram do meu olhar. Rasgam a tez da mentira que perdura sob o domínio (des)controlável. O fingimento ainda é a arte maior, mas tudo se desfaz no invisível. Ainda uma vez! Pude enxergar o que adormecia em meu pensamento. Lembranças revivem o passado tão presente. A minha dor mendiga a tua solidão e o corpo incessantemente rejeita o que sente em demasia. Pouco! O tempo que se perdeu. Tanto! Disperso pelo meu universo. Penso! O vinho ainda na taça aguarda o impossível. Escorre e se esvai junto com o que sinto. Perde-se dentro do incabível, derrama, cheira, sinto, forte. Não há nada. Ilusão! O que perdura no peito incansante. A falta da ausência, clamo pela tua solitude. O amor ainda pertence ao que não mais é meu. Tudo morre e renasce por dentro. E será que algum dia tive a verdade do que sinto? Nada mais preenche o que está desabitado por ti. O sacrifício de existir é a maior prova de honrar o amor que incendeia a minha alma. Marina Sátiro.
1/2/2008 Ainda amoAmo-te! Ainda. É no silêncio da minha amargura que cala a minha solidão. A saudade perpetua, sempre. É na dor que me refugio do que sinto e sinto! A música que canta, me encanta, me toca, me embala. Lembranças! Tuas. As ondas indo e vindo, se quebram, somem, se escondem. Meu mar! Não coube na imensidão. O amor não foi suficiente. Perderam-se todos os lampejos. A noite!
Cálida. Fez-se obscura em mim. Ainda vejo! De longe observo os passos que seguiam o meu martírio. No meu pensamento moram todos os sonhos. No meu olhar só enxergo a ti. Ferve o que me foi reservado. Queima imensamente n’alma. Quantos beijos perdidos. Em vão. Quantos beijos beijados. Guardados. Restaurados em cada instante da lembrança. Não houve espaço, não houve
tempo, não importa. Perdi o resto que possuía. O vazio nunca será reconstruído. Oculto, nada se contenta. A vida! Que vida? Na noite estrelada, faltam as estrelas; no dia ensolarado falta o sol. Nada faz sentido se dentro de mim tudo se desfez. É na tua ausência que se enclausura a minha angústia. Amo-te! Ainda. Com toda a pureza, com toda malícia. Somente isso. Somente amor.
Marina Sátiro. Versos tristes“Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Ainda que esta seja a última dor que me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.” Pablo Neruda. 31/1/2008 ImaginoImagens sensitivas! O corpo que sente, insensível. Os olhos se fecham mais uma vez. Tudo retorna. Os beijos não beijados, sonhados, desejados. O doce! O mel que escorre imperceptível. A ânsia do inimaginável. Os afagos, as mãos, tão
distantes e tão presentes. O engano mais correto, as palavras mais sensatas, as horas mais iluminadas. Tudo em vão. Tudo em mim. Tudo demasiadamente dentro do que queima. O silêncio que se preza no interior do que inexiste. Ainda! O doce! Novamente
o doce que atormenta o meu sabor. O teu mel, o que preenche e se derrama... E derrama. O que não sai, o proibido, o gosto do teu deleite. A ausência, a distância, a fúria que se dissipa incessantemente. Os pensamentos livres de tudo. As asas que se
libertam e sonham e revivem o que ainda não nasceu. A aurora que ainda brotará ou morrerá aqui, sublime. As palavras que não mais se encontram, o que se encerra, mas que sobrevive no que me resguarda. O que ainda sinto, perene dentro do que angustia.
Marina Sátiro. 9/1/2008 SentidoAs palavras se esgotaram.
As estrelas não brilham.
O corpo dessecou.
Os ventos não balançam a folhagem.
Os beijos amargaram.
As plantas murcharam.
A vida encontrou a morte.
O universo decaiu.
No meu refúgio não há abrigo.
Marina Sátiro. Interminável...Os dias que ainda não calaram, as palavras que não foram proferidas, os beijos que não foram beijados. E tudo renasce outra vez. A noite cai como todas as outras. Iguais, imperfeitas, mas com a tua presença em todas elas. Imagino, sonho, recomeço! Numa dessas noites onde perambulava a minha solidão encontrei abrigo na tua imensidão. Penso! O ato mais insensato que se aprisiona em mim.
Marina Sátiro. 6/1/2008 SaudadeHoje te desejo como nunca. Não sei o que me abateu. Será a distância que persegue o meu sossego ou será a tua ausência que se instaurou na minha paixão? Devora o que te carrega. Retrai, domina, sinto! A presença faz parte da sucessão. O tempo! Efêmero,
fugaz, ordinário. A brisa que invade tem o teu cheiro. Na blusa tão cravada no corpo. O perfume atravessa e marca na cútis. Delírio! Os instantes se tornam profundos. Revivo! A memória estagnou dentro do que me apedreja. A mão que ultrapassa. Cálida,
sensual, percorre lentamente a estrada da plenitude. Retorna! Tão úmida, insigne. Nos cabelos ancorada, perco-me. Os olhos se fecham! Perdura na ânsia a quimera. O corpo que atraca do supremo ao ínfimo. O pêlo que escorre sôfrego e arrepia o
infinito. Os braços que abarcam, envolvem, seduzem, me iluminam. O sonho e o real se confundem, se unem, não libertam. Não há como perder a lembrança, não há como esquecer os momentos, não há como desperdiçar o que ainda estar por vir.
Marina Sátiro. 5/1/2008 14199181027311Não entendo o que não compreendo. E isso me aflige constantemente. O que compreendo é tão pouco e suficiente dentro da tua insensatez. O que segue a minha fúria demente. Risca na tez, fere, sinto, sinto o que não queria sentir. Traduzir-te! A
incógnita primorosa na minha imperfeição. O silêncio! O abstrato que te envolve. A seda, o néctar, a pele, a tua pele. O contato que extasia. O corpo que envolve! O pulsar do teu coração, intenso, consistente, ecoa no meu peito e reluz em meu olhar
copioso. Ainda escorre da minha saliva o gosto do beijo. Fel doce, veneno suave. O que assassina sem atacar. Silente! Entender-te no sublime desejo enraizado, ofendido a todo instante. Angústia futre dominada pela razão hipócrita. Não foges dos
anseios que te rodeiam. Extermina, destrói, esquece a prudência que arruína os instantes tão profícuos. Decifrar-te! Impossível. Desvelar os anelos que te percorrem. Imagino. O poder do olhar sem ao menos querer, revela todo o teu estigma.
Marina Sátiro. 31/12/2007 EnigmaA falta que sinto. A ausência! O toque que entorpece, o corpo que encaixa, o sangue que ferve. O vinho que derrama, o pranto que clama, a fúria que encanta. O desejo sublime inebria a carne tão perversa, insensata. O teu corpo polido desmancha no
meu prazer. Arrasa, embriaga o que te alucina. O sono que rouba adormece a voragem. Matas o que me destrói, destrói o que corrói, cegas o que não consigo enxergar. Queima o que me abrasa, assusta. Dispersa em mim o que te preenche.
Acalma a insanidade que invade. O que alucina, indefesso, voraz, ataca, indecomponível. Não feche os meus olhos. Não se deixe insensibilizar. Preciso do teu vestígio na minha estupidez. O sonho! Irreal. Vejo-te! A miragem que cessa o
suplício. O doce, o amargo, o frio, o quente, o teu fervor, o teu calor, o meu fogo. O eflúvio do teu suor persegue a minha volúpia. O ar arquejante, a boca aquosa, a língua fatigante cessa o inexplicável. Adormeço! A realidade inescrupulosa.
Prende-se no sexo incompreensível, desconexo, o conjunto, que se junta, fascina, se atraca, se envolve, não devolve. A fugacidade da tua cena, o semblante, a interpretação se faz no meu palco imperfeito. A distância! Quanto mais longe,
maior a presença da tua solidão que se instaura em mim. Sequiosa. No meu cilício, percorre as farpas do amor que morre em abundância e vive dentro do que chama. Mutila, insulta, cessa o inexorável. O que se enclausurou perdura na minha atimia.
Marina Sátiro. 12/12/2007 Em mimTua mão! Tão sublime é o toque que a acompanha. Pueril! Como uma seda tão macia, tão lábil, envolve, preenche. Teus dedos, que fogem, se escondem, que encantam o que ultrapassam. O corpo que enleva, o trajeto que percorre, o teu tudo me atinge
longinquamente, deslumbra, maltrata, amordaça essa paixão incontrolável que sobrepuja a minha razão. A cama, a carne tão ávida, a rigidez que ultrapassa, o pranto do meu prazer, jorra na solidão do meu cerne. As lágrimas que escurecem o que me aquece, te
vejo e de ti, tão puro é o gozo a me envolver, teu gosto escorre no meu instinto. A língua que percorre a umidade do que fazes tão perfeito. O céu! Encontro o paraíso em cada pedaço, o instante, minucioso, cada detalhe perceptível, a demência que assola a minha
sensatez. Navego por inteira na tua hipnose e embalo na tua dança, no teu ritmo eloqüente, na forma única de cavalgar no meu delírio. A boca arfante, ardente, enlouquecida nos meus lábios. A fúria, o reverso, imagens distorcidas, desvairadas. As mãos que se enlaçam, presas.
O que reprime o tormento tão acorrentado. A quimera! O desejo de ti eternamente, se esvai a cada ato impensado, insensato, incansante. A ausência da falta, a falta da tua ausência. O pensamento obscuro, o infinito que procura o fim, a alma que encontra o teu calor.
Deteriorado! Aquilo que não nasceu se instaurou no inóspito que está adormecido. Não há vida na minha lamentação. Não há importância no que me invade. Não resta nada quando não mais me preenches. E assim finca no meu fim o amargor ferido do amor.
Marina Sátiro. 11/12/2007 Dentro do meu silêncioAinda se prende em mim o gole amargo da solidão. Nada transpassa o que sinto e sinto em abundância. O toque se fez e rasgou até n’alma, o pecado se consumou no meu desejo. O pensamento traiu o corpo cálido, escorreu por entre as pernas o teu deleite tão puro e tentador. Sufoca-me o beijo não dado, o sussurro que ecoa no véu do meu delírio. Arrasa e fere, ataca essa
dor que estrangula o meu suplício. A saudade que se instaurou na carne e fez-me condenada. O amor! Fútil, fugaz, mas que alenta a minha fuga. Apaga essa marca que manchou para sempre a minha cobiça. Arranca do meu peito essa paixão insolúvel. Nada resta! As lembranças se perderam no meu breu. O que findou se eternizou na minha languidez. Enxergo como uma
miragem os teus olhos tão vastos, tão cheios de mim. E em mim adormecem na minha esperança. Muitos e único dentro do que me compõe. Tudo que em mim grita, clama por ti. O sonho! A mão que arranca a volúpia estampada na carne tão quente. O seio que alimenta a fúria ocultada na tua estupidez. O sangue que ferve, o fervor que atiça, o tudo que em ti me
alucina. A soberbia que aflige e impede a vida que finge esquecer. Quero em todos os instantes pensar em ti. O teu tudo se fixou no que me contempla. Tua imagem tão nítida, teus dedos, o toque que esculpiu o desconhecido no meu desejo. Prendeu-se em mim o abandono, o ermo que habita dentro do meu gozo. A tua ausência se perdeu no que não consigo imaginar.
Marina Sátiro. 9/12/2007 Náufrago em mimPreciso chorar! É o que ainda resta somente. Sozinha na própria amargura que construí e desconstruí e se refez na minha carne tão sôfrega. A lágrima que escorre traz o teu sabor, tão doce, tão consternado, tão envolvente. Lembro o gosto do teu vinho que inebria o calor que me consome, me alimenta, mas não cessa a ausência que se prendeu
nas minhas entranhas. O toque do teu gozo ainda derrama na derme e faz-me saciada, mas imperfeita dentro do meu estupor. A minha metade necessita do peso do teu corpo, do que me preenche unicamente, mas que não arranca o deleite infindável. Sinto na minha avidez o teu ir e vir, a rigidez nua e crua que anestesia a minha ânsia tão
insólita. A tua língua tão quente, tão arquejante, suavizando o meu delírio. A saliva que escorre no meu gozo. A boca que abarca o meu universo. A minha outra parte necessita, apenas. Do teu desejo sublime, da tua volúpia incansante, do amor que teima em confrontar. Impedida! Afogo-me no meu mar que se dissipa no
devaneio, só de imaginar o teu prazer navegando na imensidão do meu suplício. Sinto! Dispersa na solidão, o teu ar, o teu alento. Sinto! Mas que tudo a tua presença tão imponente, o teu cheiro que aflige o meu tormento. Impossível! Arrancar, assim, tão de repente, tudo o que me mantém viva. Tirar tudo de ti que se implantou em
meus momentos. Apagar as noites, os desejos, os afagos ainda tão vívidos. O perfume abundante na minha insanidade. Os sonhos são desleais. Matam-me a cada imagem tua, a cada toque teu que ainda sinto me invadir, a cada beijo que enlouquece os lábios meus, a cada arrepio onde escorre o teu suor. Quero incessantemente o
teu corpo no meu, tuas mãos nas minhas, tuas pernas entrelaçadas em mim, a tua língua penetrando o inatingível que move e me conduz veemente. A saudade se transfigura no embalo da tua dança, onde o êxtase que nos envolve me retira dos passos teus estarrecendo levemente o teu semblante na minha acerbidade.
Marina Sátiro.
7/12/2007 Perco-me no pensamentoPerco-me na ausência do que passou, mas que permanece infindo na minha angústia. Ainda te vejo perfurando o meu domínio, inebriando a minha sensatez e ludibriando a minha ânsia. Imagino o que ainda vive intacto em meu poder. Ninguém tira de mim. Não é preciso fechar os olhos, nem adormecer. Tudo é desnecessário. O
que sinto é o que me completa e conforta. O meu mundo se resume no que vive em ti. Ainda consigo ver o meu corpo, o teu corpo, o nosso corpo, tão único. Ainda consigo sentir o meu deleite, o teu deleite, o nosso deleite, tão envolvente. Ainda tenho em meu sonho a tua vontade, o teu toque, a minha lágrima. Mas não
possuo o meu próprio brio. A solidão se manifestou e ataca o meu devaneio. Sinto falta do que se enclausurou em ti. Da falta que sentes dos momentos que não se apagam dentro do meu domínio. Sinto falta da tua mão deslizando no que me preenche. De confundir o palpitar do coração. Sinto falta do teu adeus. Sinto!!! Em todos os
sentidos, de todas as formas, inimagináveis. Tudo o que se ocultava se perdeu no martírio idílico reservado a mim. Pensar erroneamente, brincar com o que me aflige e pagar pelo próprio cometimento. Amar! Como pude deixar atingir um nível tão elevado? Desconheço o que me invade e fujo para sempre. Corro de mim e o
encontro novamente. Não sai. Tudo se perdeu no que sinto. A minha vaidade se esvaiu. Só existe isso, que é tão pouco, mas que amadurece a alma. A tristeza que me consome possui a mesma intensidade preenchida pelo teu gozo. Quero os dois. Um não se desprende do outro, caminham juntos para o meu declínio. Perco-me na ausência
do que passou, mas que vive na minha angústia. Ainda sinto o cansaço da última vez, se eternizou no meu domínio. Sinto o que ainda vive intacto em meu poder. Ninguém tira de mim. Não é preciso fechar os olhos. Mas fecho e sinto tudo novamente, dói, excita, corrói, penetra, mas desejo profundamente esse amor desvario.
Marina Sátiro.
27/11/2007 IndizívelA felicidade é privilégio de poucos. A solidão, dos que se excluem do mundo ou dos que não o possuem. Encontro-me nessa vida, mas não sou encontrada por ela. Habitaste profundamente no que não me pertencia e que hoje me derrota sem ao menos nunca ter lutado. Renascer do que me conclama. Adormecer no suplício da carne, no toque abstrato, surreal que me persegue. A minha luz é negra e dela vejo-te perfeito distante de mim. O meu prazer enclausurou-se em ti, no teu corpo, suspeito do gozo incabível. O choro que permeia a minha ira, a devassidão que se constrói em
meu olhar, o amor que me corrói de maneira voraz, que não se desprende da volúpia instaurada eternamente na minha imensidão. Minto para mim mesma. Iludo-me com falsas promessas travestidas no teu indecoroso discurso. As lágrimas sangrentas derramam dentro do meu mar de lamúrias. É incontrolável o poder que sobrepuja o fascínio que circunda nos meus sonhos. Tudo se fecha. O paraíso idílico que havia em mim se instaurou em ti. Nada sou. Nem fragmentos da tua ausência pousam na minha redenção. A saudade é consubstancial a ti. Tão infame é o desprezo adotado
da minha estupidez. Necessito! Da luxúria exacerbada de ti, minha, tão minha que se findou no meu ventre, dos batimentos que elevo ao pensar na tua penetração, o olhar fito no sussurro, as máscaras do pecado fiel à pureza da contemplação. Renasço a cada movimento causado pela tua ânsia. Ao toque suave e feroz das tuas mãos se emaranhando em meus cabelos, em tua boca suplicando o sabor da minha, em tua pele atravessando o que antes desconhecia, no teu perfume que ainda vive no meu ar. Arranca-me todo esse desejo que atormenta a minha carne. A incoerência que carrego
quando te vejo, quando teus olhos sem querer se apegam aos meus. Essa paixão que maltrata a minha sensatez. Enxuga o pranto que se derrama na tua rejeição. Faz de mim a mulher que nunca senti. Traz a tua vida à minha dor tão desmedida. Reinventa a cura. Não te demoras na minha espera. Não deixas que se perca de mim o teu deleite, suave e intocável, o gemido que ecoa em meus ouvidos, a brisa que arrepia a minha eloqüência. Não deixas que me perca da tua infinidade, não me deixas eternizar no que sinto. Não deixas que morra em mim toda a pureza criada em nossos momentos tão sublimes.
Marina Sátiro. 16/11/2007 PartesO meu amanhã é incerto. O meu hoje incoerente, mas vivo por alguns instantes nessa constante desarmonia. Aprisionei-me no que não pude controlar, nesse mar idílico que nunca me libertará. Eu mesma sacrifiquei o que não suportava e encontro nesse martírio uma pureza irreal. É na dor que sobrevivo da solidão. É de sonhos que alimento o que me estrangula. É através dos teus olhos que consigo enxergar a luz. Uma parte de mim é
incompleta, a outra desconexa. São meros fragmentos meus e teus que se unem, mas não se formam. Os olhos se fecham e tudo está em seu devido lugar. É tão simples e tão difícil. Forjar o amor, subestimar os sentimentos. Em mim a paixão desenfreada se esconde e se revela em teus braços. Entrego-me em nenhuma palavra dita. Vivo da tua farsa em mim, que me seduz e satisfaz. Não existo! O meu ego está dentro de ti. Tudo é uma ilusão,
mas quero viver ludibriada. Preenche o vazio, mas o vazio não me completa. Necessito não só do gole do teu vinho, mas da uva que o tornaste tão puro. Preciso do sussurro ecoando dentro do meu gozo, da vida que há em ti. O devaneio que me persegue, maltrata. Condenada por sentir demais e desprezar o que invadiu. Quero! Somente quero esse fogo que queima vorazmente a minha insensatez. Que se propague em mim todo o teu delírio.
Marina Sátiro.
16/10/2007 DIÁRIO DO NORDESTE 13/10/2007 - ZOEIRAZona Cyber (13/10/2007)Bits, poetas e poesiasA internet é a representação moderna da biblioteca de Alexandria, um lugar onde o conhecimento humano estaria reunido para acesso a todos e qualquer um. Mas um incêndio a destruiu em 646 d.C, agora cabe à internet fazer este trabalho. Vinicius de Moraes Na prática Dely Sátiro Ainda vivoSinto-me mais leve. O amor que me possuía dissipou-se para o desconhecido. Entre tudo o que há em mim, não me encontro no teu desejo tão sublime. Sei da existência do que me inebria. Sinto! Mas não mais me maltrata. Transformei-me no que não sou ou apenas no que acreditava ser. Era o retrato da tua ira e não do que sentias. Enquanto
deleitava na volúpia inconsciente, o sabor do fel amargava dentro da minha aflição. Não amava demasiadamente a mim como deveria e ainda não amo o suficiente para destruir o sussurro, o toque, a perfeição do que corrói da maneira mais cruel o meu corpo. Surpreendida por uma paixão eloqüente que assumiu poderes inconseqüentes no
que me consumia. O olhar impreciso, mas envolvente, hipnotizava todo o sentimento. Tudo se esvaiu e tudo ainda se prende a mim. O meu refúgio está enjaulado na minha memória. O esquecimento não abandona o que foi vivido e ainda permanece. Por dentro, a chama que não se apaga, reacende em cada olhar que se perde. Ainda vivo! Apenas isso.
Marina Sátiro.
30/9/2007 Sou o que sintoHá tempos deixei o que era e transformei-me no indecifrável. Sou tudo o que queres que seja. Meros fragmentos de amor e devaneios perdidos na tua escuridão. Perco-me na tua abstração. De ti extraio tudo o que
se estrutura no teu disfarce, aparentemente desconhecido. Pensas! Realmente supõe a invencibilidade. És o “Deva” do meu domínio ou apenas o permito que sejas. Mergulho de forma única, literalmente
dentro do que és. Sinto! O que provém da minha inocência é inescrupuloso, não se permite, mas a consciência nega tudo o que ataca. O que mancha o pecado, marca n’alma profundamente e é lirial. O medo
aflige o meu refúgio e me impele da minha própria ingenuidade. Como a pureza pode ser tão cruel e morar dentro do que me ergue? Sem ti a minha realidade torna-se irreal, sem sentido algum. A perversa vida
distancia de mim o encontro, o sonho que teimo em ser verdadeiro. Fiz-me prisioneira do que por dentro me rasga de paixão. É esplêndido o que vive em minh’alma, mas dentro dela morrerá por toda a eternidade.
Marina Sátiro.
6/7/2007 Morri sem teu amorHoje há mais dor na minha angústia; há mais solidão na minha saudade; há mais amor do que possa suportar.
Hoje o passado se revigora, o sentimento cria forças e rouba a minha ingenuidade. A mão continua deslizando no corpo suado, ofegante e cheio de paixão. A pele sobrevive da sensação de te ter como abrigo.
Hoje o sonho se distancia da realidade, a lembrança se apossa da fraqueza e torna tudo tão perfeito. Sem sentir a lágrima torna à face desconhecida. As palavras fogem perante o aperto e o ontem ficou distante.
Hoje há mais escuridão no meu olhar; há mais tristeza na minha decadência; há mais imagens do que minha mente possa agüentar.
Hoje o teu infinito permanece em mim, a tua volúpia perdura no meu domínio, o teu sussurro tilinta no meu pensamento. Os nossos corpos se embalam levemente e me acalenta na tua morada.
Hoje é o fim da minha estrada, mas meu caminho segue o teu destino silenciosamente. É o início da luta inconstante com tudo que faz arder na carne. Sem perceber choro ininterruptamente. O teu olhar, o teu sorriso, o teu gozo, findaram em tudo que me compõe.
Hoje há mais angústia na minha dor; há mais saudade na minha solidão; há mais do ontem do que consiga suportar.
Hoje é o dia em que morri, e que morra em mim tudo o que há em ti.
Marina Sátiro.
4/5/2007 À espera do teu vinhoComo o vinho de taninos agressivos, pouco macerados, sabor de fel, encontram-se os lábios meus, sem os ardentes beijos agraciados da tua boca. O amargor da tua ausência desestrutura a minha ânsia. Tudo o que me compõe provém do teu desejo. O cheiro do teu sumo entorpece a minha
volúpia. Arranca-me os princípios tão conservadores. Arrepio-me no gosto do teu corpo consistente, envolvente, como o vinho encorpado, que preenche de forma única tudo o que me estrutura. O sangue, o teu sangue, a cor do sangue que me embriaga, o teu calor que me anseia, as tuas mãos
trêmulas que perseguem os contornos distorcidos pelo efeito casto e tentador. O sabor por ti exalado me envolve na tua dança. Sinto-me no período de maturação, à tua espera. Aguardando o momento do amadurecimento. Chegada à hora de jorrar-me no teu deleite e envenenar-me dentro do teu
gozo desmedido. A demora aprimora o meu suplício, o furor da veemência demasiada. A explosão de todos os ácidos que imploram o toque suave da tua pele tão hábil. Queria em todos os instantes que o amargor me consumir, esquecer o coração dilacerado, o peito ofegante, o corpo em chamas.
Mas é inevitável o que vive enraizado no pensamento. Sinto-te compondo pedaço por pedaço, de gole em gole, me enlevando em teu domínio. Aguardo-te, como o vinho, para seduzir-te com todo o toque, maciez e exuberância. Á espera do teu sabor, para sentir o gosto que provém somente de ti.
Marina Sátiro.
16/3/2007 O ontem que se eternizouAinda ferve em meu corpo a tua veemência. Aos poucos teu calor se dissipa do que me anseia, padecendo os meus devaneios. Os teus beijos amordaçam a minha tortura. O teu sabor não sai da minha vontade. Anestesia-me da ilusão vivida. Lambuzo-me do teu gozo que ainda me resta, de tudo de ti que vive intrépido em mim. Pressinto-te sem ao menos pensar. O teu olhar fito segue o meu instinto e hipnotiza a minha estupidez. Não consigo superar a distância inexistente, vindoura. Rasga-me do pecado de desejar involuntariamente o que persegue o meu domínio. O corpo clama por tua cobiça, difama o irreal. Não deixas que morra em mim o que se consumou de ti. O incontrolável que move o meu estupor. Preciso sempre me embriagar no gosto do teu vinho, do mosto que se extrai do teu deleite. És único para a minha existência. Viver! Somente em alguns momentos que inundam a minha memória. Adormecer no teu cheiro e acordar com tua brisa profunda em meu abrigo. Desejar a tua mão a deslizar harmoniosamente em minha pele. Envenenar-me do que se encontra abscôndito em teu disfarce. Deliciar na tua solidez a minha ingenuidade. Desterrar o que há tempos se ocultou. Sinto fortemente o teu cheiro nesse instante. Sem perceber, o meu olhar se distorce e uma lágrima que cai revive o passado próximo. O coração angustiante arqueja débil. O ontem se faz presente no hoje que se faz eterno no meu lamento. Marina Sátiro. 11/3/2007 A desrazão do amorDentro de mim há o que me queima por pura insensatez e há o que demasiadamente me corrói por pura ignorância. Sem sentir, já o que perdura em minh’alma, afogueio-me no meu mar ilusório. Não pela imprudência que desrama as minhas vertigens, mas pelo anseio incansante que navega nas minhas emoções. Procuro o que se transfigurou dentro do
meu silêncio. Busco o perdido na omissão dos devaneios. Sinto! Sinal do amor ou da lamentação. O amor que causa todas as intolerâncias da paixão. A lamentação do amor que aflige o meu enlevo. Que tua sede inesperada de incitar almeje a minha quimera e dissipe a ardente angústia que postula por tua ânsia. Do espelho, vejo as minhas lágrimas rolarem em tua face, translúcida. Não sentes ou finges. O que derrama em meu pranto vem de ti. O coração sôfrego da tua vontade pulsa incontrolavelmente. Não sei mais das sensações doídas instauradas no que inunda a minha clausura fictícia. O que sei, concebo a cada pensamento, mas pouco se revela do meu desconhecido desejo. Marina Sátiro. |
Muito obrigada por visitar o meu blog! Volte sempre! Marina Sátiro. Quase pouco antes de deitar, encontrei com teu olhar, tuas poesias a me fitar, e agora o que faço com toda essa beleza, essa natureza de trazer o belo onde já não pode mais embelezar? Só posso dizer, segue teu olhar, que quando o meu te encontrar, a alma não vai mais separar...
2 月 1 日
visitei seu espaço poêtico que me agradou deveras demais, tanto pela profundidade da poesia como pela transmissâo de sentimentos que brotam das suas palavras.
os meus parabéns pela escrita.
1 月 3 日
sönmezali撰寫:
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11 月 20 日
sönmezali撰寫:
11 月 17 日
Marina:
Debruçar sobre as tristezas e chorá-las: esse é o nosso ofício porque poesia não se faz de
alegrias e de deleites. Guardamos no coração e na alma o sacrifício das coisas tristes, daqueles
momentos que passaram, da felicidade perdida, do abraço que parou no tempo.Nosso ofício
é externar o sofrimento, não só nosso, mas a dor de cada um.
Parabéns, gostei do que escreveu.
Abraços, um belo fim de semana.
Celina.
9 月 25 日
silvamiro撰寫:
oi te achei muito romantica,que linda que vc é.parabens isso é muito bom.um abraço.fui
9 月 25 日
.Arifbv撰寫:
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8 月 25 日
MuellerJM II撰寫:
Hello my friend,
Frohe Ostern
Happy Easter
Pascua alegre
3 月 20 日
P撰寫:
na
pele do sol
pintura de janeiro em pêlo de serpente uma outra roupagem no cemitério andaluz o espírito da noite despe a violeta do seu corpo nas frestas da lua oculta na guitarra dorme um anjo meio-menino sente a dor da poesia colhida no abismo dos séculos choro de inverno os olhos doutra criança amamentam um sol de cobre
3 月 12 日
gülerzeynel撰寫:
2 月 20 日
MuellerJM II撰寫:
2 月 6 日
gomesLIMA撰寫:
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1 月 11 日
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